Portas abertas,
novos caminhos.
Passo a passo,
rastros, recados, imagens...
O dito e o não dito,
feitos e fabricos.
Arte e vida. Vida e emoção.
Sinergia, laços, conexões.
Recados e manias,
pausas,idéias,
gritos e sussurros.

Que bom ver você por aqui!!!

Que bom ver você por aqui!!!
O que você achou? Vou adorar se você deixar um comentário no final do post, ok?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

as floresdealice

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.



A inclinação do sol vai marcando outras
sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade.

Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.




(Primavera, de Cecília Meireles)

Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1",
Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

recadosdealices


“NÃO IMPORTA…

Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso.
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários.
Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso.
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”

Bertold Brecht

Fonte: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=15125

alicemagia

Meus oito anos
Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!
...


(Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/casi.html)


alice hoje (enquanto Alice não vem)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

alices (entre sons,cores e serotonina)


Mulheres Possíveis

Ontem, na TV, uma matéria mostrou um caso raro de uma mulher que, desde a adolescência,
desenvolveu uma potencialidade rara do ser humano: a sinestesia. Ou seja, a partir de sinapses (nos neurônios), os sentidos se interligam, e a pessoa é capaz de ver e sentir cores e sabores diferentes para cada tipo de música, som ou ruído que ouve.


A simulação, através de animação demonstrada na reportagem, fazia parecer tudo multicolorido, lindo...
Mas, p’ra mim, a sensação é de que seria tudo uma alucinação só. Já pensou? Enloquecedor!

Agora, cá p’ra nós, tem gente que precisa – uma dose só, pequenininha, por dia – dessa tal sinestesia.
Especialmente aquelas que passam a vida reclamando de absolutamente tudo, têm e exercem a vocação de “injustiçadas, perseguidas”. Que sofrem (!!!), coitadas...

Vítimas ‘escolhidas’ e preferidas da incompreensão, da insensatez, das injustiças e das maldades do mundo. Verdadeiros mártires, vivem cercadas de vilões, num rodamoinho imaginário de sofrimentos, num vale de lágrimas.
Todo mundo é culpado. Tá todo mundo errado (!) - vizinho, pai, mãe, filho, amigo, irmão e quem mais aparecer pela frente.

P’ra essa gente o mundo não tem cor. Nem preto, nem branco, nem cinza.
E aí, vamos combinar, deve ser mesmo muito difícil, e amargo (sem chocolate)...
A vida é triste (muuiito triste!) ...a pessoa perde a autocrítica e o discernimento.
E nem de longe admite que está doente (intriga da oposição).
Ah! O que uma boa dose de serotonina e sinestesia poderia fazer por essas pessoas!!!
(E humildade também).

Mas, mesmo sem a tal sinestesia, tem gente que segue a vida bem, e com saúde (graças aos deuses!!!).
Uma das excelentes crônicas da Martha Medeiros fala de outras
MULHERES POSSÍVEIS, e do dia a dia na vida de muitas ‘alices’.
Ainda bem (!!!),vida real, simples assim:


Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma coisa e outra, leio livros.
...
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.
Você é, humildemente, uma mulher.

... Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
...
Acorda, alice!!!
A vida melhora quando a gente percebe que não está acima, nem é melhor, do que os coelhos apressados, chapeleiros malucos, gatos risonhos, duquesas, patos e quem mais no 'país das maravilhas'.
É só sair da 'página dezessete' e vai descobrir que (sinto muito dizer) 'você não é a rainha do baralho!'.
Valeu ?

quinta-feira, 23 de julho de 2009